Santos4 min de leituraFesta: 28 de outubro

São Simão e São Judas Tadeu, apóstolos

Festa de São Simão, o Zelote, e São Judas Tadeu, apóstolos do Senhor, venerados juntos pela tradição como pregadores e mártires do Evangelho.

No dia 28 de outubro, a Igreja de rito romano celebra com grau de festa os apóstolos São Simão e São Judas Tadeu, dois dos Doze escolhidos por Jesus Cristo para serem testemunhas da sua vida, morte e ressurreição. Embora os Evangelhos ofereçam poucas informações sobre eles, a tradição litúrgica do Ocidente sempre os uniu numa única celebração, apoiada em antigas narrativas segundo as quais ambos teriam evangelizado juntos e juntos derramado o sangue por Cristo. A memória comum dos dois apóstolos recorda que a Igreja está edificada sobre o fundamento dos Apóstolos, tendo como pedra angular o próprio Cristo, conforme proclama a primeira leitura da Missa (Ef 2,19-22).

São Simão aparece nas listas apostólicas com dois epítetos: 'o Cananeu' (Mt 10,4; Mc 3,18) e 'o Zelote' (Lc 6,15; At 1,13). Ambos os termos têm o mesmo significado, pois a palavra aramaica qan'ana corresponde ao grego zelotés, ou seja, aquele que é zeloso. O título pode indicar tanto um fervor religioso pela Lei de Deus quanto uma possível ligação com o movimento dos zelotes, grupo judaico que resistia à dominação romana. O Papa Bento XVI, em sua catequese de 11 de outubro de 2006, observou que Jesus chamou para o grupo dos Doze pessoas de origens e sensibilidades muito diferentes, como Simão, o Zelote, e Mateus, o cobrador de impostos a serviço de Roma, mostrando que a comunhão em Cristo supera as divisões humanas.

São Judas é chamado Tadeu nos Evangelhos de Mateus e Marcos (Mt 10,3; Mc 3,18), ao passo que Lucas o designa como 'Judas, filho (ou irmão) de Tiago' (Lc 6,16; At 1,13). O Evangelho de São João registra uma única intervenção sua na Última Ceia, quando, identificado como 'Judas, não o Iscariotes', pergunta ao Senhor: 'Senhor, como se explica que te manifestarás a nós e não ao mundo?' (Jo 14,22). Jesus responde revelando que o Pai e o Filho farão morada naquele que O ama e guarda a sua palavra. A tradição atribui-lhe também a Carta de Judas, breve escrito do Novo Testamento que exorta os fiéis a 'combater pela fé, uma vez para sempre transmitida aos santos' e a perseverar no amor de Deus contra os falsos mestres.

Sobre a atividade missionária dos dois apóstolos após Pentecostes, as fontes são tardias e de valor histórico incerto. A tradição ocidental, recolhida em textos como a Paixão atribuída ao Pseudo-Abdias e difundida pela Legenda Áurea, narra que Simão e Judas pregaram juntos na Pérsia, onde teriam sofrido o martírio. Outras tradições situam Simão no Egito ou mesmo na Bretanha, e associam Judas Tadeu à Mesopotâmia e à Armênia, por vezes confundindo-o com Adai (Tadeu), um dos setenta e dois discípulos, ligado à evangelização de Edessa. Na iconografia, São Simão é geralmente representado com uma serra, instrumento de seu martírio segundo a lenda, e São Judas Tadeu com uma clava, alabarda ou machado, além de frequentemente trazer ao peito um medalhão com a face de Cristo. Suas relíquias são veneradas, segundo a tradição, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, sob o altar dedicado a São José, no transepto esquerdo.

As Igrejas orientais celebram os dois apóstolos em datas distintas: no rito bizantino, São Simão é comemorado em 10 de maio e São Judas em 19 de junho, além de ambos serem lembrados na Sinaxe dos Santos Apóstolos, em 30 de junho. No Ocidente, a festa conjunta de 28 de outubro é atestada desde a Alta Idade Média nos sacramentários e martirológios, tendo sido conservada no Calendário Romano Geral após a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II.

Na celebração litúrgica, usam-se paramentos vermelhos, sinal do testemunho dos mártires. A Missa tem Glória e o Prefácio dos Apóstolos, e na Liturgia das Horas canta-se o Te Deum. O Evangelho proclamado (Lc 6,12-19) narra a noite de oração de Jesus no monte e a escolha dos Doze, a quem Ele chamou apóstolos. A oração coleta pede que, pela intercessão de São Simão e São Judas, a Igreja cresça continuamente com a adesão de novos povos à fé, recordando que foi pelo ministério dos Apóstolos que os fiéis chegaram ao conhecimento do nome de Deus.

A devoção popular a São Judas Tadeu conheceu enorme difusão, sobretudo a partir do século XIX, tornando-o conhecido como padroeiro das causas difíceis e desesperadas. Uma explicação piedosa sugere que, por causa da semelhança de seu nome com o do traidor Judas Iscariotes, os fiéis por muito tempo hesitaram em invocá-lo, e quem finalmente a ele recorria o fazia em situações extremas, experimentando sua poderosa intercessão. Hoje, em muitos países, especialmente no Brasil, no México e em outras nações da América Latina, santuários dedicados a São Judas Tadeu atraem multidões, particularmente no dia 28 de cada mês. Juntos, São Simão e São Judas lembram à Igreja que a grandeza de um discípulo não se mede pela fama terrena, mas pela fidelidade a Cristo até o fim, e que todo cristão é chamado a anunciar o Evangelho com zelo e perseverança.

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