Santo Antônio Maria Claret é um dos grandes missionários do século XIX e uma das figuras mais marcantes da Igreja na Espanha moderna. Pregador popular, escritor fecundo, fundador de congregações religiosas, arcebispo em terras americanas e conselheiro na corte real, viveu inteiramente sob o lema paulino 'Caritas Christi urget nos', isto é, 'o amor de Cristo nos impele' (2Cor 5,14). A Igreja celebra a sua memória facultativa no dia 24 de outubro, data de sua morte.
Nasceu em 23 de dezembro de 1807 em Sallent, na Catalunha, filho de uma família de tecelões. Na juventude trabalhou no ofício paterno e chegou a aperfeiçoar-se como técnico têxtil em Barcelona, onde lhe foram oferecidas boas perspectivas profissionais. Contudo, a experiência da fragilidade da vida e a meditação da palavra evangélica 'De que serve ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?' despertaram nele a vocação sacerdotal. Ingressou no seminário de Vic e foi ordenado presbítero em 1835. Desejoso de dedicar-se às missões estrangeiras, foi a Roma e entrou no noviciado da Companhia de Jesus, mas uma enfermidade obrigou-o a regressar à pátria, onde a Providência lhe reservava outro campo de apostolado.
Nomeado missionário apostólico, percorreu durante anos as cidades e aldeias da Catalunha e, depois, as Ilhas Canárias, pregando missões populares, confessando por longas horas e promovendo a renovação da vida cristã. Compreendendo a força da imprensa, escreveu numerosos livros e opúsculos de catequese e piedade, entre os quais se destaca o manual 'Caminho Reto', amplamente difundido, e fundou em Barcelona a Livraria Religiosa, destinada a oferecer ao povo literatura católica acessível. Em 16 de julho de 1849, em Vic, fundou com alguns sacerdotes a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, conhecidos como Claretianos, dedicados à pregação da Palavra de Deus em todo o mundo.
Poucas semanas após essa fundação, foi nomeado arcebispo de Santiago de Cuba. Durante cerca de sete anos dedicou-se com zelo extraordinário à sua arquidiocese, visitando-a repetidas vezes, reformando o clero, regularizando matrimônios, combatendo a escravidão e as injustiças sociais e promovendo escolas, caixas de poupança e iniciativas em favor dos pobres. Com a Venerável Antônia París fundou o Instituto das Religiosas de Maria Imaculada, Missionárias Claretianas, voltado para a educação cristã. A sua firmeza pastoral suscitou inimizades: em 1856, em Holguín, sofreu um atentado que lhe causou grave ferimento no rosto, e ele próprio intercedeu pelo agressor, para que fosse poupado da pena capital.
Em 1857 foi chamado à Espanha para ser confessor da rainha Isabel II. Aceitou o cargo com relutância e impôs como condição não residir no palácio além do necessário e manter a liberdade de prosseguir no ministério da pregação. Aproveitou a posição para influir na nomeação de bons bispos, restaurou o mosteiro do Escorial como centro de formação eclesiástica e continuou a pregar, escrever e confessar incansavelmente. Na sua autobiografia, escrita por obediência, deixou testemunho de intensa vida mística, incluindo a graça, por ele relatada, de conservar em si as espécies eucarísticas de uma comunhão à outra.
Com a revolução de 1868, acompanhou a família real no exílio em França. Em 1869 e 1870 participou em Roma do Concílio Vaticano I, onde defendeu com ardor a definição da infalibilidade pontifícia, mostrando no próprio rosto a cicatriz do atentado sofrido por amor à Igreja. Perseguido pelos adversários políticos, refugiou-se na abadia cisterciense de Fontfroide, no sul da França, onde morreu santamente em 24 de outubro de 1870. Os seus restos mortais repousam hoje em Vic, na casa-mãe dos Claretianos.
Foi beatificado pelo Papa Pio XI em 1934 e canonizado pelo Papa Pio XII em 7 de maio de 1950. Santo Antônio Maria Claret permanece como modelo de pastor e evangelizador, que soube unir a profunda devoção ao Imaculado Coração de Maria e à Eucaristia com uma ação apostólica criativa e corajosa, servindo-se de todos os meios disponíveis para anunciar o Evangelho. A família claretiana, hoje espalhada por todos os continentes, prolonga o seu carisma missionário, recordando à Igreja que o amor de Cristo não deixa repousar quem o acolhe verdadeiramente.
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