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O Pecado Original

Doutrina católica sobre a queda dos primeiros pais, sua transmissão a toda a humanidade e a redenção trazida por Cristo, o novo Adão.

O pecado original é a doutrina católica segundo a qual os primeiros pais da humanidade, Adão e Eva, criados em estado de santidade e justiça, desobedeceram a Deus no início da história e perderam esse estado para si e para todos os seus descendentes. A expressão designa tanto o primeiro pecado efetivamente cometido pelos primeiros pais, o chamado pecado originante, quanto a condição de privação da graça na qual todo ser humano é concebido, o chamado pecado originado. Como ensina o Catecismo da Igreja Católica, trata-se de um pecado 'contraído' e não 'cometido', isto é, de um estado e não de um ato pessoal (CIC 404).

O fundamento bíblico encontra-se sobretudo no terceiro capítulo do Gênesis, que narra a tentação da serpente, a desobediência ao mandamento divino e as consequências que se seguem: a vergonha, a ruptura da harmonia com Deus, entre o homem e a mulher e com a criação, o sofrimento e a morte. O Catecismo esclarece que esse relato usa uma linguagem feita de imagens, mas afirma um acontecimento primordial, um fato que ocorreu no princípio da história do homem (CIC 390). O próprio Gênesis, porém, já anuncia a esperança no chamado Protoevangelho: 'Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela' (Gn 3,15), primeiro anúncio do Messias redentor.

Foi São Paulo quem deu à doutrina sua formulação teológica mais clara, sobretudo na Carta aos Romanos: 'Por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, e assim a morte passou a todos os homens' (Rm 5,12). O Apóstolo estabelece um paralelo entre Adão e Cristo: assim como pela desobediência de um só muitos foram constituídos pecadores, pela obediência de um só muitos serão constituídos justos (Rm 5,19). Em outra passagem afirma: 'Assim como todos morrem em Adão, em Cristo todos receberão a vida' (1Cor 15,22). Por isso a Igreja ensina que a doutrina do pecado original é, por assim dizer, o reverso da Boa-Nova de que Jesus é o Salvador de todos os homens.

Na história da Igreja, a doutrina foi aprofundada especialmente no contexto da controvérsia pelagiana. Pelágio e seus seguidores sustentavam que o pecado de Adão afetara a humanidade apenas como mau exemplo, e que o homem poderia alcançar a justiça por suas próprias forças. Santo Agostinho combateu vigorosamente essa posição, sublinhando a universalidade da queda e a necessidade absoluta da graça. Seu ensinamento foi acolhido pelo Concílio de Cartago (418) e pelo II Concílio de Orange (529). Mais tarde, diante das posições da Reforma protestante, o Concílio de Trento, em sua quinta sessão (1546), promulgou o Decreto sobre o pecado original, que definiu solenemente sua transmissão a todos por propagação e não por imitação, bem como a eficácia do Batismo para apagá-lo.

Quanto à sua natureza, Santo Tomás de Aquino e a tradição teológica o compreendem como a privação da justiça original, isto é, da santidade e da harmonia interior com que o homem fora criado. A natureza humana, contudo, não ficou totalmente corrompida, como afirmaram alguns reformadores, mas ferida em suas forças naturais: submetida à ignorância, ao sofrimento, ao domínio da morte e inclinada ao pecado. Essa inclinação ao mal recebe o nome de concupiscência. O Concílio de Trento ensinou que, nos batizados, a concupiscência permanece como luta a ser travada, mas não é propriamente pecado, embora proceda do pecado e incline a ele.

O remédio para o pecado original é a graça de Cristo, comunicada pelo sacramento do Batismo, que apaga o pecado original e todos os pecados pessoais e restitui a vida divina, ainda que permaneçam as consequências da natureza ferida. É por essa razão que a Igreja, desde a antiguidade, batiza também as crianças. Uma única criatura foi preservada dessa mancha desde o primeiro instante de sua existência: a Virgem Maria, por singular graça e privilégio de Deus, em vista dos méritos de Cristo, conforme o dogma da Imaculada Conceição definido pelo Beato Pio IX na bula Ineffabilis Deus (1854).

Longe de ser uma doutrina pessimista, o ensinamento sobre o pecado original ilumina o mistério do mal no mundo e no coração humano, e ao mesmo tempo engrandece a obra da redenção. A liturgia da Vigília Pascal o expressa de forma admirável no Precônio pascal, ao cantar: 'Ó feliz culpa, que mereceu tão grande Redentor'. Como recorda o Catecismo, não se pode atentar contra a revelação do pecado original sem atentar contra o mistério de Cristo, pois é precisamente na vitória do novo Adão sobre o pecado e a morte que o homem encontra bens maiores do que aqueles que o pecado lhe havia roubado.

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