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Os Novíssimos: morte, juízo, inferno e paraíso

Morte, juízo, inferno e paraíso: a doutrina católica sobre as realidades últimas do homem segundo a Escritura, a Tradição e o Catecismo.

Chamam-se Novíssimos, do latim 'novissima', isto é, 'as coisas últimas', as realidades finais que aguardam todo ser humano: a morte, o juízo, o inferno e o paraíso. A expressão provém do livro do Eclesiástico, que exorta: 'Em todas as tuas obras lembra-te dos teus novíssimos, e jamais pecarás' (Eclo 7,36; na Vulgata, 7,40). O estudo teológico dessas verdades recebe o nome de escatologia e ocupa lugar central na fé cristã, como professa o Credo: 'Espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir'. O Catecismo da Igreja Católica trata do tema sobretudo nos números 988 a 1060, ao comentar os últimos artigos do Símbolo dos Apóstolos.

A morte é o primeiro dos Novíssimos. Segundo a Revelação, ela não pertencia ao desígnio original de Deus, mas entrou no mundo como consequência do pecado: 'O salário do pecado é a morte' (Rm 6,23; cf. Sb 2,23-24). Consiste na separação entre a alma, que é imortal, e o corpo, que se corrompe à espera da ressurreição. A morte põe fim ao tempo da prova e da peregrinação terrena: depois dela já não há possibilidade de merecer ou de mudar a orientação fundamental da vida, pois 'está estabelecido que os homens morram uma só vez, e depois disso vem o juízo' (Hb 9,27). Em Cristo, porém, a morte foi transformada: Ele a assumiu livremente e a venceu pela ressurreição, de modo que, para o cristão, morrer pode tornar-se um ato de entrega amorosa ao Pai, como rezava São Paulo: 'Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro' (Fl 1,21).

O juízo apresenta-se, na doutrina católica, sob dois aspectos. O juízo particular ocorre imediatamente após a morte, quando cada alma recebe a retribuição eterna conforme suas obras e sua fé (CIC 1021-1022). Essa verdade foi definida solenemente pelo Papa Bento XII na constituição 'Benedictus Deus' (1336), que ensina que as almas dos justos, purificadas, gozam desde logo da visão de Deus, enquanto as dos que morrem em pecado mortal descem imediatamente ao inferno. O juízo final, por sua vez, acontecerá no fim dos tempos, com a vinda gloriosa de Cristo e a ressurreição de todos os mortos, justos e injustos (Jo 5,28-29). Diante de toda a humanidade será então revelada a verdade de cada vida e o sentido último da história da salvação, manifestando-se que a justiça de Deus triunfa sobre todas as injustiças e que seu amor é mais forte que a morte (CIC 1038-1041). A cena descrita em Mateus 25,31-46 mostra que o critério desse juízo é o amor, especialmente o amor concreto aos mais pequeninos.

O inferno é o estado de autoexclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados (CIC 1033). A Igreja afirma sua existência e sua eternidade, apoiando-se nas palavras do próprio Cristo, que fala do 'fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos' (Mt 25,41) e da 'geena, onde o fogo não se apaga' (Mc 9,43). A pena principal do inferno consiste na separação eterna de Deus, o único em quem o homem pode encontrar a vida e a felicidade para as quais foi criado (CIC 1035). Deus não predestina ninguém à condenação: o inferno é consequência da recusa livre e obstinada do seu amor até o fim. Por isso, as afirmações da Escritura e do Magistério sobre o inferno são, antes de tudo, um apelo à responsabilidade e à conversão, e a Igreja reza continuamente para que ninguém se perca, pois Deus 'quer que todos os homens sejam salvos' (1Tm 2,4).

O paraíso, ou céu, é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do coração humano, o estado de felicidade suprema e definitiva (CIC 1024). Consiste na comunhão perfeita de vida e de amor com a Santíssima Trindade, com a Virgem Maria, os anjos e todos os santos. Sua essência é a visão beatífica: os eleitos verão a Deus 'face a face' (1Cor 13,12) e 'tal como Ele é' (1Jo 3,2). Trata-se de um mistério que ultrapassa toda compreensão e representação, pois 'o que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam' (1Cor 2,9). A Escritura recorre a imagens como banquete de núpcias, vida, luz, paz e casa do Pai para sugerir essa plenitude. Embora a todos seja dada a visão de Deus, a glória de cada um corresponde ao grau de caridade alcançado na vida terrena.

Embora não figure tradicionalmente entre os quatro Novíssimos, o purgatório está intimamente ligado a eles. A Igreja ensina, especialmente nos Concílios de Florença e de Trento, que os que morrem na graça de Deus, mas ainda imperfeitamente purificados, passam por uma purificação depois da morte, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do céu (CIC 1030-1031). Desde os primeiros séculos, os fiéis oferecem sufrágios pelos defuntos, sobretudo o sacrifício eucarístico, além de esmolas, indulgências e obras de penitência (cf. 2Mc 12,46; CIC 1032). A esperança cristã culmina na ressurreição da carne e nos 'novos céus e nova terra' (2Pd 3,13; Ap 21,1), quando o Reino de Deus chegará à sua plenitude e o universo inteiro será renovado em Cristo (CIC 1042-1050).

A meditação dos Novíssimos sempre ocupou lugar privilegiado na espiritualidade católica. Obras como a 'Imitação de Cristo' e a 'Preparação para a morte', de Santo Afonso Maria de Ligório, bem como os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, recomendam essa consideração como remédio contra o pecado e estímulo à santidade. Longe de produzir medo estéril, a lembrança das realidades últimas ensina a viver o presente com seriedade e esperança, a valorizar o tempo como dom de Deus e a ordenar todas as coisas ao fim para o qual fomos criados. Por isso a Igreja convida os fiéis a rezar pela graça de uma boa morte e a vigiar, pois 'não sabeis nem o dia nem a hora' (Mt 25,13), mantendo viva a súplica com que se encerra a Escritura: 'Vem, Senhor Jesus!' (Ap 22,20).

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