A Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã — «o mistério de Deus em si mesmo». A Tradição afirma que Deus é uno em essência e triplo em Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Não se trata de três deuses nem de três modos de um único Deus (sabelianismo), mas de três subsistências reais e distintas que partilham uma única natureza divina. Esta formulação distingue o monoteísmo cristão do judaico e do islâmico, que rejeitam a distinção de Pessoas na unidade divina.
Os fundamentos bíblicos da doutrina trinitária encontram-se dispersos em ambos os Testamentos, mas nunca sistematizados. No Antigo Testamento, o plural elohim e as manifestações de figuras como o Anjo do Senhor são lidos pela Tradição como prefigurações. No Novo Testamento, o Batismo de Jesus (Mc 1,9–11), a fórmula batismal de Mateus 28,19 («em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo») e o Prólogo de João («no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus») constituem os textos-chave.
O desenvolvimento dogmático ocorreu nos grandes concílios do século IV. O Concílio de Niceia (325) definiu que o Filho é «consubstancial» (homoousios) ao Pai, contra o arianismo de Ário, que subordinava o Filho ao Pai como criatura. O Concílio de Constantinopla (381) estendeu essa afirmação ao Espírito Santo, completando o Credo Niceno-Constantinopolitano que a Igreja recita até hoje. Cappadócios como Basílio de Cesareia, Gregório de Nissa e Gregório Nazianzeno sistematizaram a linguagem de «uma única ousía em três hypóstaseis».
A linguagem técnica fixada pelos concílios — «substância», «pessoa», «processão», «geração», «espiração» — buscava preservar dois dados simultâneos: a unidade absoluta de Deus e a distinção real das Pessoas. O Pai é ingênito, origem sem origem; o Filho é eternamente gerado pelo Pai («gerado, não criado»); o Espírito Santo procede do Pai e do Filho (Filioque, no Ocidente) ou apenas do Pai (nas Igrejas do Oriente). Esta última questão permanece objeto de diálogo ecuménico entre católicos e ortodoxos.