A veneração dos santos é uma prática central da espiritualidade católica que consiste em honrar os homens e mulheres que a Igreja reconheceu, pelo processo da canonização, como tendo vivido de modo heroicamente virtuoso e como estando agora na presença beatífica de Deus. Contra a acusação protestante de «adoração dos santos», a teologia católica distingue rigorosamente entre latria (adoração — devida exclusivamente a Deus, dirigida também a Cristo e, com nuances, ao Espírito Santo), hyperdulia (veneração especial de Maria, acima de todos os outros santos, por sua singular proximidade a Cristo) e dulia (veneração ordinária dos santos). A distinção remonta a Agostinho de Hipona e foi sistematizada por Tomás de Aquino.
O fundamento doutrinal é a «comunhão dos santos» (communio sanctorum), artigo do Credo Apostólico que afirma a união espiritual entre os fiéis vivos (Igreja peregrina), os que estão em purificação (Igreja purgante) e os que já gozam da visão de Deus (Igreja triunfante). Os santos, glorificados em Deus, não são mediadores independentes: toda a sua intercessão passa por Cristo, «único mediador entre Deus e os homens» (1Tm 2,5). A Igreja ensina que pedir a um santo é análogo a pedir orações a um irmão na fé — com a diferença de que o santo ora já na perfeita união com Deus.
As formas concretas de veneração são diversas: culto das relíquias (restos mortais ou objetos em contato com o santo), veneração de imagens e ícones, celebração da festa anual no calendário litúrgico, peregrinação a santuários, e invocação litúrgica nos ritos sacramentais. O Concílio de Niceia II (787) definiu dogmaticamente que a veneração das imagens é legítima — respondendo à iconoclastia —, distinguindo entre proskynesis (veneração da imagem) e latreia (adoração devida apenas a Deus). O Concílio de Trento (1563) reafirmou a veneração dos santos e das relíquias contra a crítica reformada.
A objeção protestante à veneração dos santos apoia-se sobretudo em 1Tm 2,5 («único mediador») e na ausência de exemplos explícitos de invocação dos santos no Novo Testamento. A resposta católica argumenta que a mediação única de Cristo não exclui participações subordinadas (como a intercessão dos vivos pelos vivos é estimulada em 1Tm 2,1) e que a prática é atestada nos primeiros séculos cristãos — inscrições catacumbárias como «Pedro e Paulo, rogai por Víctor» datam do século II. O diálogo ecuménico sobre este tema permanece aberto entre católicos, luteranos e anglicanos.