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O Santo Rosário

A oração mariana por excelência: meditação dos mistérios da vida de Cristo acompanhada da recitação do Ave-Maria, Pai-Nosso e Glória.

O Rosário é a oração mariana por excelência na tradição católica, unindo a recitação repetitiva de fórmulas bíblicas — sobretudo o Ave-Maria — com a meditação contemplativa dos «mistérios», episódios centrais da vida de Cristo e de Maria. A tradição atribui sua origem a São Domingos de Gusmão (século XIII), que o teria recebido da própria Virgem para combater a heresia albigense; historicamente, o Rosário surgiu de uma evolução gradual das práticas de devoção popular e monástica medievais, que combinavam a recitação dos Salmos com meditações sobre a Vida de Cristo.

Na forma clássica estabelecida pelo papa Pio V (1569), o Rosário consiste em quinze mistérios divididos em três grupos: os Gozosos (Anunciação, Visitação, Natividade, Apresentação, Encontro no Templo), os Dolorosos (Agonia no Horto, Flagelação, Coroação de Espinhos, Caminho da Cruz, Crucificação) e os Gloriosos (Ressurreição, Ascensão, Pentecostes, Assunção de Maria, Coroação de Maria). Em 2002, João Paulo II acrescentou os cinco Mistérios Luminosos (Batismo de Jesus, Bodas de Caná, Anúncio do Reino, Transfiguração, Instituição da Eucaristia), ampliando o Rosário para vinte mistérios.

A prática do Rosário consiste em rezar, para cada mistério, um Pai-Nosso, dez Ave-Marias e um Glória, enquanto se medita mentalmente no episódio contemplado. Cada «dezena» é precedida do anúncio do mistério e pode ser acompanhada de uma breve leitura bíblica. A repetição rítmica das orações vocais — que alguns consideram mecânica — é intencional: libera a mente da construção verbal para que possa repousar na contemplação. João Paulo II, na carta apostólica Rosarium Virginis Mariae (2002), descreveu o Rosário como «escola da contemplação» e «síntese do Evangelho».

O Rosário ocupa lugar central nas aparições marianas reconhecidas pela Igreja: em Lourdes (1858), Nossa Senhora identificou-se como a Imaculada Conceição e pediu a Bernadette a recitação do Rosário; em Fátima (1917), identificou-se como «Nossa Senhora do Rosário» e pediu sua rezagão diária como condição para a paz no mundo. Numerosos papas — Leão XIII, Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e Francisco — dedicaram encíclicas ou documentos ao Rosário, tornando-o a oração mais recomendada pelo Magistério depois da própria Liturgia.

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