A Santa Missa — também denominada Eucaristia, Liturgia Eucarística, Ceia do Senhor ou Santo Sacrifício — é o centro e o cume da vida cristã na tradição católica. O Concílio Vaticano II, na Constituição Sacrosanctum Concilium, afirmou que «a liturgia é o ápice para o qual se dirige a atividade da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de onde emana toda a sua energia». A Missa é simultaneamente memorial (anamnese) da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, sacrifício sacramental que torna presente o sacrifício da Cruz, e banquete pascal no qual o fiel se alimenta do Corpo e Sangue do Senhor.
A estrutura atual da Missa, conforme o Missal Romano reformado após o Vaticano II, articula-se em duas grandes partes: a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística. A Liturgia da Palavra inclui as leituras bíblicas (Primeiro Testamento, Salmo, Epístola, Evangelho), a homilia e a Oração dos Fiéis. A Liturgia Eucarística compreende a Apresentação dos Dons, a Oração Eucarística — ápice da Missa, que inclui o relato da instituição e a epiclese (invocação do Espírito Santo) — a Comunhão e o Rito de Conclusão. A Missa abre-se com ritos iniciais (saudação, ato penitencial, Glória) e encerra-se com o envio missionário: «Ide, a Missa está celebrada.»
O dogma da transubstanciação, definido pelo IV Concílio de Latrão (1215) e confirmado pelo Concílio de Trento (1551), afirma que, pelas palavras da consagração, a substância do pão e do vinho é convertida na substância do Corpo e Sangue de Cristo, permanecendo apenas os acidentes (aparências sensíveis) do pão e do vinho. Esta doutrina distingue a posição católica das interpretações protestantes: Lutero propôs a consubstanciação (Cristo presente junto com o pão e o vinho); Calvino, uma presença espiritual; Zuínglio, um simples memorial simbólico.
A participação dos fiéis na Missa foi tema central da reforma litúrgica do século XX. Pio X incentivou a comunhão frequente (1905) e a comunhão precoce das crianças (1910); Pio XII, na Mediator Dei (1947), desenvolveu a teologia da participação ativa (actuosa participatio). O Vaticano II traduziu esses princípios em reformas concretas: uso das línguas vernáculas, orientação do altar para o povo, enriquecimento do leccionário, restauração da Oração dos Fiéis. O debate sobre a Missa Tridentina (Missal de 1962) e a Missa de Paulo VI (Missal de 1970) permanece vivo, com posições que vão da convivência harmoniosa à polêmica litúrgica.