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São Francisco de Assis

Fundador da Ordem dos Frades Menores, patrono da Itália e da ecologia. Seu amor à pobreza, à natureza e ao Evangelho vivido literalmente o tornou um dos santos mais amados.

Giovanni di Pietro di Bernardone — apelidado pelo pai de Francesco — nasceu em Assis, Úmbria, por volta de 1181 ou 1182, filho de um rico comerciante de tecidos. A juventude foi marcada por festas, generosidade desordenada e sonhos cavaleirescos. Dois episódios decisivos transformaram-no: a experiência de cativeiro em Perúgia após uma batalha (1202–1203) e uma doença grave que o obrigou a confrontar a futilidade de suas ambições. A visão de Cristo crucificado na igrejinha de São Damião — «Francisco, vai e restaura minha casa» — iniciou sua conversão radical.

Em 1206, diante do bispo de Assis, Francisco devolveu ao pai as roupas que vestia, renunciando à herança e ao próprio sobrenome. «Daqui em diante só direi: Pai nosso que estais nos Céus.» Adotou o Evangelho em sua literalidade: sem bolsa, sem cajado, sem sandálias (Mt 10,9–10), pregando penitência pelas aldeias da Úmbria. Em 1209, com um grupo de doze companheiros, viajou a Roma para obter aprovação oral de Inocêncio III para a nova fraternidade — a Ordem dos Frades Menores (OFM).

O estilo de vida franciscano era radicalmente novo: nenhuma propriedade pessoal ou coletiva, trabalho manual ou esmola como único sustento, fraternidade entre iguais sem hierarquia rígida. Francisco estendia sua fraternidade além dos humanos: o Cântico das Criaturas (1224), composto quando já estava quase cego, celebra o sol, a lua, o vento, a água, a terra e a morte como irmãos e irmãs. Em setembro de 1224, no Monte Alverne, Francisco recebeu os estigmas — as chagas de Cristo — no corpo, tornando-se o primeiro estigmatizado registrado na história cristã.

Francisco morreu em 3 de outubro de 1226, aos 44 anos, cantando o Salmo 141. Foi canonizado em 1228 por Gregório IX. João Paulo II proclamou-o patrono da ecologia em 1979, e a encíclica Laudato Si' de Francisco (2015) retomou o espírito do Cântico das Criaturas como fundamento de uma teologia da criação. A Ordem Franciscana — que incluiu figuras como Boaventura, Duns Scotus, Rogério Bacon e Pio de Pietrelcina — tornou-se uma das mais numerosas e influentes da Igreja Católica.

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