Teresa de Ahumada y Cepeda nasceu em Ávila, Espanha, em 1515, de família com ascendência conversa. Aos 20 anos ingressou no Mosteiro da Encarnação dos Carmelitas contra a vontade do pai, movida por uma mistura de vocação religiosa e temor do inferno que ela mesma descreveria depois como motivação imperfeita. Nos primeiros vinte anos de vida religiosa, Teresa viveu uma fé mediocre, marcada por longos períodos de abandono da oração e tensões entre o espírito do mundo e a chamada à vida contemplativa.
A conversão profunda ocorreu por volta de 1554, diante de uma imagem de Cristo flagelado. A partir daí, Teresa experimentou graças místicas extraordinárias — visões, locução interiores, o «voo do espírito» e o fenômeno da levitação — que ela relata com rigor psicológico incomum em sua Vida (autobiografia). Convencida de que o relaxamento da vida comum nos mosteiros carmelitas impedia o florescimento contemplativo, fundou em 1562, em Ávila, o Mosteiro de São José, com clausura estrita, pobreza absoluta e pequena comunidade (13 religiosas), inaugurando a Reforma Carmelita.
Com o apoio de João da Cruz — que reformou os conventos masculinos — Teresa fundou dezassete mosteiros em toda a Espanha, enfrentando resistência de autoridades civis, eclesiásticas e da própria ordem. Sua vasta correspondência (cerca de 450 cartas preservadas) revela uma mulher de inteligência aguda, humor vivo e capacidade administrativa notável. Suas obras principais — O Caminho da Perfeição, guia prático para a oração, e O Castelo Interior, descrição sistemática dos sete «aposentos» da alma em caminho até Deus — tornaram-se clássicos da mística cristã.
Teresa morreu em 1582 em Alba de Tormes e foi canonizada por Gregório XV em 1622, junto com Inácio de Loyola, Francisco Xavier e Filipe Neri. Em 1970, Paulo VI proclamou-a Doutora da Igreja — a primeira mulher a receber esse título, partilhado com Catarina de Siena. Sua contribuição específica é a sistematização da mística cristã em termos experienciais e psicológicos: ela não teoriza sobre Deus a partir de categorias filosóficas, mas descreve o caminho interior com precisão clínica, tornando acessível a vida contemplativa a gerações posteriores.