O 30º Domingo do Tempo Comum é uma das celebrações dominicais da última parte do ano litúrgico. O Tempo Comum, chamado em latim 'Tempus per annum', ocupa a maior parte do calendário da Igreja. Divide-se em dois períodos: o primeiro vai do Batismo do Senhor ao início da Quaresma, e o segundo vai de Pentecostes até o Advento. Neste tempo, a Igreja não celebra um aspecto particular do mistério de Cristo. Contempla o mistério do Senhor em sua totalidade, sobretudo aos domingos, quando acompanha passo a passo a vida pública de Jesus e o seu ensinamento.
O domingo é, desde os primeiros séculos, o 'dia do Senhor', a Páscoa semanal em que a comunidade cristã se reúne para celebrar a ressurreição de Cristo. A Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, chama-o de 'dia de festa primordial' e fundamento de todo o ano litúrgico. Por isso, mesmo os domingos do Tempo Comum, sem uma temática festiva própria, têm grande dignidade. Só cedem lugar a solenidades e a algumas festas do Senhor. Ao aproximar-se o fim do ano litúrgico, os domingos desta fase orientam cada vez mais os fiéis para a plenitude do Reino e para a vinda gloriosa de Cristo.
A cor litúrgica deste domingo é o verde, própria do Tempo Comum. A tradição associa o verde à esperança e à vida que germina e cresce. Ele evoca o crescimento paciente da Igreja e de cada cristão sob a ação da graça, à semelhança da semente do Reino que se desenvolve silenciosamente. Este simbolismo combina bem com o tom deste domingo, que fala justamente de crescimento nas virtudes.
A oração do dia (coleta) deste domingo é uma das mais conhecidas do Missal Romano, pela riqueza teológica. Nela a Igreja pede a Deus eterno e todo-poderoso que aumente em nós a fé, a esperança e a caridade. Pede também que nos faça amar o que Ele ordena, para alcançarmos o que promete. A oração apresenta as três virtudes teologais como dons que se recebem e que podem crescer. Mostra ainda que a obediência cristã nasce do amor, e não do mero dever. Santo Agostinho já expressava essa ideia ao ensinar que a graça faz amar aquilo que a lei manda. A antífona de entrada, tirada dos Salmos, convida à alegria dos que procuram o Senhor e à busca constante da sua face.
O Lecionário dominical está organizado num ciclo de três anos (A, B e C), e o Evangelho deste domingo varia conforme o ano. No ciclo A, proclama-se o diálogo em que Jesus responde qual é o maior mandamento da Lei. Ele une inseparavelmente o amor a Deus de todo o coração e o amor ao próximo como a si mesmo. No ciclo B, lê-se a cura do cego Bartimeu, que clama pela misericórdia do Filho de Davi e, recuperada a vista, segue Jesus pelo caminho. No ciclo C, o Evangelho traz a parábola do fariseu e do publicano que sobem ao Templo para rezar. Ela contrapõe a autossuficiência orgulhosa à humildade de quem se reconhece pecador.
Apesar das diferenças, os três ciclos se harmonizam com a coleta do dia. O amor a Deus e ao próximo é o centro da caridade. A fé perseverante do cego que pede para ver revela a confiança de quem espera tudo do Senhor. A oração humilde do publicano manifesta a verdadeira atitude do crente diante de Deus. Em cada caso, a liturgia conduz o fiel a examinar a autenticidade da sua vida espiritual. A religião não se reduz a práticas exteriores. Ela exige um coração convertido, aberto à misericórdia divina e atento às necessidades dos irmãos, especialmente dos pobres e dos que sofrem.
Na vida pastoral, este domingo costuma cair em outubro, mês que a tradição católica dedica ao Santo Rosário e às missões. Isso reforça o seu caráter de convite à oração e ao testemunho. Na Liturgia das Horas, segue-se o saltério correspondente à semana do Tempo Comum, com hinos e antífonas próprios do domingo. Assim, a Igreja santifica todo o dia do Senhor, das Primeiras Vésperas no sábado à tarde até as Completas do domingo. Celebrar o 30º Domingo do Tempo Comum é, portanto, renovar o compromisso batismal de crescer nas virtudes teologais e de viver o duplo mandamento do amor como resposta agradecida à salvação recebida em Cristo.
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